The change have to be real

"Era ínicio de Verão, expectativas altas, felicidade no topo.

Um simples dia de praia que já tinha acabado, já me encontrava a chegar a casa para tomar um banho relaxante e fazer pouco mais do que comer um taça de cereais e ver uma série dentro dos lençois na minha cama.

Mas quando chego recebo um telefonema, mal sabia eu que era esse telefonema que ia mudar o meu Verão inteiro.

Decidi fazer a vontade à rapariga que me implorava para me juntar a ela e mais algumas pessoas para ver um jogo de futebol, quando cheguei vi-te pela primeira vez. Não foi amor à primeira vista nem quimica entre nós, era algo que iria acontecer com calma e com muito mais força, comprimentei-te e ficámos ambas separadas pela pessoa que nos tinha juntado nesse dia. A noite ia chegar ao fim mas elas decidem ir comer crepes, decides dividir o teu comigo num simples gesto de cortesia e simpatia e eu aceito. Subitamente tenho de ir e nem sequer tenho tempo de me despedir de ti, tu continuas com uma das raparigas numa conversa animada enquando eu tomo o caminho oposto. 

Não estou disposta a desistir já, não sei o que é aquela inquietação que me aflige tanto e que me fez quebrar as regras para voltar a estar contigo ao ponto de sair de casa à uma da manhã sem qualquer autorização para tal. Quando entrei na casa da nossa amiga em comum e tu estavas lá, já com um top de desporto, uma t-shirt larga e boxers curtos, pronta para passar a noite em casa dela. Ambas insistem para que também passe lá a noite mas isso seria muito arriscado para mim, passam quatro horas, quatro míseras horas que mudam a minha vida de uma maneira inexplicável.

Tu, estranha rapariga de Lisboa, tornas-te lgo inexplicável. O meu coração bate ridiculamente rápido quando o primeiro beijo acontece, demorado e desejado.

Agora diz-me, depois de um Verão inteiro, depois de teres feito tantos estragos no que eu achava ser certo ou não, como queres que eu viva bem e siga em frente se tu estás em tudo o que faço ou decido.

Não sou stalker e muito menos desesperada mas os sentimentos são deslocados do raciocinio, não consigo decidir o que fazer com uma pessoa que muda tanto em tão pouco tempo mas que consegue magoar-me como mais ninguém consegue.

Não sou capaz de proferir o que sinto e tenho medo de pensar sequer nisso, e a culpa disso é tua."


Agora perguntam-me: sim eu sou rapariga e não, não me enganei na gramática, a outra pessoa é uma rapariga também. Com isto queria igualmente demonstrar que não há razões para haver descriminações entre as escolhas das pessoas, cada um sabe como quer viver e se vocês tal como eu, tivessem certezas sobre o que eram e o que queriam, mas de um momento para o outro até isso se pusesse em dúvida?

 

sinto: seems like it
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publicado por La vie en blanc às 17:15 | link